Olho no olho, com um filtro sobre as palavras (se expressar sem magoar!), mostrando não a casca, mas o que interessa.
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domingo, 28 de março de 2010
AMIZADES VIRTUAIS, ENCONTROS REAIS
Não existe, nos dias atuais, quem ainda não tenha experimentado a sensação: estar lá, sentado, geralmente encarando um ponto fixo no espaço, com uma mal disfarçada ansiedade que vai fazendo os minutos ganharem a densidade de meses, os chicletes ou cigarros irem sumindo rapidinho da embalagem e os ruídos da impaciência começarem a preencher o espaço: o tamborilar de dedos sobre a mesa; o esfregar dos sapatos sobre o piso com um vai-vem incessante sob a mesa; o "pipipi" das teclinhas do celular usado como video-game e suspiros que parecem não dar conta de renovar adequadamente o ar dos pulmões; até que...
Eis que surge a razão de tanta espera, se aproximando devagar, olhando desconfiadamente, como se quisesse ter certeza de que o outro é realmente quem esperava encontrar (ou seria para dar tempo de desistir antes de chegar perto demais?).
Nessa hora, batimentos que deveriam acalmar-se, aceleram. Os segundos que antecedem o primeiro "oi" ao vivo parecem-se com aqueles que se seguem a um raio e prenunciam o trovão: um silêncio profundo, carregado de eletricidade.
Mas, se ambos foram sinceros, se a amizade virtual construiu-se sobre bases reais, esse "oi" é libertador!
Libertador como a chuva forte num final de tarde escaldante e abafado, uma taça de sorvete na hora daquela fome inconveniente na madrugada, uma pista de dança cheia com o melhor DJ tocando, uma rede preguiçosa no final do domingão, um beijo de língua inesquecível ou aquele abraço no meio do choro convulso que é promessa de cura de todas as mágoas, ou seja, puro prazer e conforto!!!
A partir daí, como é costume dizer, tudo é história. Cada pessoa fará o seu roteiro e não haverá duas histórias iguais. Mas a sensação da espera, ah, essa é recorrente e, dentro do seu pequeno desespero, é só a preparação para muitas emoções que, fatalmente, se seguirão.
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