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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

RESGATES IMPOSSíVEIS

Você já ligou para alguém que foi muito importante em sua vida, alguém que você tenha amado muito, depois de muito tempo sem manter nenhum contato?

Se sim, você vai reconhecer de pronto o assunto que trato aqui.

É complicado até para descrever a sensação, como tentar encaixar a peça de um quebra cabeça que parece ser a certa (afinal, todos os ângulos ainda estão lá e parecem coincidir), mas você descobre que, na prática, a peça não entra mais naquele espaço.

Os sentimentos se misturam. Você ouve a voz do outro (tão familiar aos ouvidos!), a mesma entonação, o mesmo modo bonito de colocar as palavras que te encantou desde a primeira conversa ao telefone, mas, onde está a pessoa que você conheceu? Onde foi parar a essência dela?

O outro não é mais o mesmo (ou talvez, sejamos nós que tenhamos mudado, sei lá!) e parece estranho aos nossos ouvidos o discurso que ele adota agora. Talvez o que mais nos perturbe, nessas horas, é perceber que a vida do outro andou mesmo sem nossa presença nela, coisa que nosso senso de possessividade nunca permite que aceitemos com tranqüilidade.

Além disso, esse "progresso" do outro parece enfatizar ainda mais a nossa própria estagnação, e isso também dói muito. Irritamo-nos conosco mesmos por ter levado em frente o impulso de ligar, por não ter resistido; nos irritamos com o outro, que parece fazer questão absoluta de restar claro que nunca esteve tão bem.

Mas, enfim, ligamos. Não por qualquer motivo especial, apenas por saudade ou por poder aproveitar um bom pretexto (aniversário, natal, qualquer coisa assim...) e agora, o que era somente saudade se torna uma ausência física, quase palpável; uma sensação de abandono pesada e, ao mesmo tempo, etérea.

Demora para que tenhamos a compreensão de que a solitude e essa sensação de abandono que nos toma não é do outro para conosco, mas de nós mesmos para com nosso futuro.

Sem perceber, nos prendemos a sensações que moram no passado e que jamais serão resgatadas, mas que o telefonema, a voz familiar do outro lado e o "tudo de bom" que foi vivido com aquela pessoa fazem com que sintamos que o resgate era possível, mas foi frustrado. A mensagem é clara: a vida andou, as coisas mudaram. Para todos.

Faça a sua mudança pessoal, não se prenda a resgates impossíveis, esperanças vãs, projetos irrealizáveis, amores que nunca floresceram de fato.



Há sempre uma pessoa que realmente precisa de você para fazer acontecer um futuro feliz. Quando isso acontecer com você, vá ao banheiro, lave as lágrimas e olhe bem no espelho: lá você encontrará quem realmente importa e precisa muito de você.

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