Desapeguem-se!!!
De mágoas antigas, de idéias suicidas, de coisas ultrapassadas, de hábitos improdutivos.
Libere-se de tudo o que nunca te fez bem, assuma novas posturas ou, se você gosta de tudo o que você tem e que te cerca hoje, batalhe com mais afinco para mantê-las como estão.
Mas não se enganem: desapego é um exercício dolorido e que exige concentração constante!
Temos a mania do acúmulo, pois guardamos bugigangas que não usamos e que poderiam servir aos outros, coisas que nunca vamos comer até que se estraguem por ter vencido o prazo de validade, remédios com restinho no fundo do vidro que não rendem uma dose, batons que não dá pra retirar nem com cotonete da embalagem, roupas que não nos cabem mais, pessoas que não nos fazem mais felizes, amizades que feneceram como flores murchas e não jogamos fora, por parecer politicamente incorreto.
Sei que na última frase muitos pularam da cadeira e gritaram “EPA!”, mas é isso mesmo: quantas amizades estão no seu orkut, no seu celular, no msn apenas "pro forma" (você não fala com elas, não as procura, não as sente como amigas, às vezes até fala mal delas pra outros que considera realmente amigos!) e não tem a coragem de excluí-las formalmente porque não quer ninguém te questionando a respeito?
Não está na hora de termos essa coragem? Tirar fora tudo aquilo que não dá mais nada? Não é porque uma coisa parece não fazer diferença (está ali, mas não "fede nem cheira", como dizia minha mãe) que ela, efetivamente, não faça diferença.
Faz diferença sim! Porque o espaço que ela ocupa ali não pode ser preenchido por coisas ou pessoas novas que te façam feliz, te deem prazer ou tenham algo de útil a trazer pra sua vida, sejam ensinamentos, seja movimento, seja apenas paz.
Chega de ficarmos entupidos com coisas até garganta, sejam sapos, frases duras, gente arrogante, sapatos que machucam o pé, roupas que caíram de moda, maquiagem com prazo de validade vencido, lingerie velha (furada, desbotada e com elástico caindo), presentes que ganhamos e que nunca foram usados porque não são "a nossa cara", instrumentos que nunca aprendemos a tocar direito, pessoas que se dizem amigas mas que sequer conseguiram arranhar nosso "verniz social" pra chegar na camada feia que mostra exatamente quem somos.
O verdadeiro amigo é esse: ele vê o pior de nós: falhas de caráter, tristezas, medos, ansiedades. Mas sempre acreditam que temos chances, que a parte bonita ainda está compensando a feia.
Desejo que em 2010 todos nós consigamos fazer essa distinção de maneira clara e manter em nossa vida aquilo que realmente precisamos, que são definitivamente imprescindíveis para nossa sobrevivência ou felicidade. Incluindo os AMIGOS, sejam grandes, pequenos, próximos, distantes, mas sobretudo, verdadeiros."
Que amanhã seja o primeiro de vários dias em que você vai praticar o DESAPEGO com critério e muita sabedoria.
Olho no olho, com um filtro sobre as palavras (se expressar sem magoar!), mostrando não a casca, mas o que interessa.
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sábado, 20 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
RESGATES IMPOSSíVEIS
Você já ligou para alguém que foi muito importante em sua vida, alguém que você tenha amado muito, depois de muito tempo sem manter nenhum contato?
Se sim, você vai reconhecer de pronto o assunto que trato aqui.
É complicado até para descrever a sensação, como tentar encaixar a peça de um quebra cabeça que parece ser a certa (afinal, todos os ângulos ainda estão lá e parecem coincidir), mas você descobre que, na prática, a peça não entra mais naquele espaço.
Os sentimentos se misturam. Você ouve a voz do outro (tão familiar aos ouvidos!), a mesma entonação, o mesmo modo bonito de colocar as palavras que te encantou desde a primeira conversa ao telefone, mas, onde está a pessoa que você conheceu? Onde foi parar a essência dela?
O outro não é mais o mesmo (ou talvez, sejamos nós que tenhamos mudado, sei lá!) e parece estranho aos nossos ouvidos o discurso que ele adota agora. Talvez o que mais nos perturbe, nessas horas, é perceber que a vida do outro andou mesmo sem nossa presença nela, coisa que nosso senso de possessividade nunca permite que aceitemos com tranqüilidade.
Além disso, esse "progresso" do outro parece enfatizar ainda mais a nossa própria estagnação, e isso também dói muito. Irritamo-nos conosco mesmos por ter levado em frente o impulso de ligar, por não ter resistido; nos irritamos com o outro, que parece fazer questão absoluta de restar claro que nunca esteve tão bem.
Mas, enfim, ligamos. Não por qualquer motivo especial, apenas por saudade ou por poder aproveitar um bom pretexto (aniversário, natal, qualquer coisa assim...) e agora, o que era somente saudade se torna uma ausência física, quase palpável; uma sensação de abandono pesada e, ao mesmo tempo, etérea.
Demora para que tenhamos a compreensão de que a solitude e essa sensação de abandono que nos toma não é do outro para conosco, mas de nós mesmos para com nosso futuro.
Sem perceber, nos prendemos a sensações que moram no passado e que jamais serão resgatadas, mas que o telefonema, a voz familiar do outro lado e o "tudo de bom" que foi vivido com aquela pessoa fazem com que sintamos que o resgate era possível, mas foi frustrado. A mensagem é clara: a vida andou, as coisas mudaram. Para todos.
Faça a sua mudança pessoal, não se prenda a resgates impossíveis, esperanças vãs, projetos irrealizáveis, amores que nunca floresceram de fato.
Há sempre uma pessoa que realmente precisa de você para fazer acontecer um futuro feliz. Quando isso acontecer com você, vá ao banheiro, lave as lágrimas e olhe bem no espelho: lá você encontrará quem realmente importa e precisa muito de você.
Se sim, você vai reconhecer de pronto o assunto que trato aqui.
É complicado até para descrever a sensação, como tentar encaixar a peça de um quebra cabeça que parece ser a certa (afinal, todos os ângulos ainda estão lá e parecem coincidir), mas você descobre que, na prática, a peça não entra mais naquele espaço.
Os sentimentos se misturam. Você ouve a voz do outro (tão familiar aos ouvidos!), a mesma entonação, o mesmo modo bonito de colocar as palavras que te encantou desde a primeira conversa ao telefone, mas, onde está a pessoa que você conheceu? Onde foi parar a essência dela?
O outro não é mais o mesmo (ou talvez, sejamos nós que tenhamos mudado, sei lá!) e parece estranho aos nossos ouvidos o discurso que ele adota agora. Talvez o que mais nos perturbe, nessas horas, é perceber que a vida do outro andou mesmo sem nossa presença nela, coisa que nosso senso de possessividade nunca permite que aceitemos com tranqüilidade.
Além disso, esse "progresso" do outro parece enfatizar ainda mais a nossa própria estagnação, e isso também dói muito. Irritamo-nos conosco mesmos por ter levado em frente o impulso de ligar, por não ter resistido; nos irritamos com o outro, que parece fazer questão absoluta de restar claro que nunca esteve tão bem.
Mas, enfim, ligamos. Não por qualquer motivo especial, apenas por saudade ou por poder aproveitar um bom pretexto (aniversário, natal, qualquer coisa assim...) e agora, o que era somente saudade se torna uma ausência física, quase palpável; uma sensação de abandono pesada e, ao mesmo tempo, etérea.
Demora para que tenhamos a compreensão de que a solitude e essa sensação de abandono que nos toma não é do outro para conosco, mas de nós mesmos para com nosso futuro.
Sem perceber, nos prendemos a sensações que moram no passado e que jamais serão resgatadas, mas que o telefonema, a voz familiar do outro lado e o "tudo de bom" que foi vivido com aquela pessoa fazem com que sintamos que o resgate era possível, mas foi frustrado. A mensagem é clara: a vida andou, as coisas mudaram. Para todos.
Faça a sua mudança pessoal, não se prenda a resgates impossíveis, esperanças vãs, projetos irrealizáveis, amores que nunca floresceram de fato.
Há sempre uma pessoa que realmente precisa de você para fazer acontecer um futuro feliz. Quando isso acontecer com você, vá ao banheiro, lave as lágrimas e olhe bem no espelho: lá você encontrará quem realmente importa e precisa muito de você.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
QUANDO O VENTO LEVANTA A SAIA
A mulher nunca experimentou tanta liberdade como nos últimos cinqüenta anos de nossa história recente.
Todo mundo festeja o advento da pílula anticoncepcional como o marco zero dessa liberdade, o que não deixa de ser parcialmente verdade. Por que apenas parcialmente? Porque só nos últimos dez anos a mulher vem percebendo e aprendendo a lidar com as conseqüências da liberdade sexual.
Os homens (casados ou solteiros) sempre puderam sair por aí fazendo sexo e depois voltar para casa como se nada de relevante tivesse acontecido; mas, a mulher...Se tivesse sorte, voltava para casa sem engravidar, mas ganhava a pecha de "mulher-fácil", sendo preterida dentro da sociedade. Se desse azar, voltaria grávida e seria também preterida e discriminada pela sociedade, com o agravante de que sua prole também seria discriminada.
Resumindo, a mulher que ousasse se liberar sexualmente estaria "fodida" e num sentido muito mais amplo que o de fazer sexo. Isso parece o retrato de tempos muitos distantes, mas não é. Foi logo ali atrás, há menos de 30 anos, quando a maioria de nós estava sendo colocada neste mundo.
Quando digo da liberdade parcial advinda do uso dos anticoncepcionais, quero tocar num ponto mais delicado e muito pouco discutido: a fragilidade emocional das mulheres. Deram a elas uma cartelinha e incutiram nelas a idéia de que aquilo era como a espada da She-Ra: era só brandir a cartelinha e você seria uma deusa, com poder para decidir onde, quando e com quem transar, ou seja, seria quase um homem.
Ah, se não fosse o "quase"...
Dizem que as mulheres ainda não aprenderam a dissociar sexo de relacionamento estável, e, ouso completar, nem relacionamento estável de amor. Sei que vozes inflamadas se erguerão contra o meu raciocínio, com as feministas me chamando de retrógrada, as românticas me chamando de obscena ou impudica, os homens com cara de "onde ela quer chegar?" e as mulheres inteligentes e realistas talvez querendo concordar comigo.
Vou tentar explicar melhor. Entendo que o que faz o indivíduo ser livre não é poder decidir o que quer fazer, mas fundamentalmente, decidir o que não quer de forma alguma. E a maioria das mulheres ainda não conquistou esse poder. É só parar para pensar:
1) Todas querem ganhar bem, mas nenhuma admite ser responsável pelo provimento financeiro do namorado ou marido, mesmo temporariamente, embora achem que ele tenha essa "obrigação" para com ela.
2) Todas querem ser independentes, ter o próprio carro, poder sair e voltar a hora que quiserem, mas nenhuma quer ir ao cinema sozinha (maior mico, vão notar que você deve ter algo errado, afinal, com essa idade e não tem companhia nem para ir ao cinema?)
3) Todas querem ser mães, ter filhos fofos como os de comercial de fraldas descartáveis, mas nenhuma quer a ruína física natural que acompanha esse processo. Pára, né? Só a Angelina Jolie sai da sala de parto com uma barriga mais sarada do que a da Gwen Stefani...
4) Todas querem ser desejadas, se vestem e se comportam para suscitar desejo, mas nenhuma quer que o cara pule em cima dela como um sedento que chega ao oásis. Querem romance: chuvas de pétalas de um helicóptero, faixas nas avenidas perto de casa prometendo amor eterno, mensagens de texto no celular a cada 30 minutos, beijos hollywoodianos antes do "vem cá, minha nega".
5) Todas querem ser lindas como as divas da passarela e da televisão, mas somente elas tem dinheiro, paciência e motivação real para suportar a dor dos medicamentos sendo injetados nas coxas pra acabar com a celulite, ficar horas com produtos de cheiro horrível em seu cabelo pra ganhar aquele efeito liso de comercial de shampoo, resistir bravamente às cânulas que rasgam a gordura localizada do seu baixo ventre na lipo... (fora o estrago no bolso e o risco de morte na mesa de cirurgia!). A maioria mesmo está sempre adiando o regime para segunda-feira, sem falar naquelas que nem pensam no assunto ou aquelas que levam a sério, mas ficam insuportavelmente obcecadas e chatas, pois não tem outro assunto na vida.
6) Todas querem ser a "tchutchuquinha do tigrão", delicadas, frágeis flores de violeta expostas à tempestade que precisam de uma redoma para sobreviver à tormenta. Querem ser Lois Lane, voando protegidas nos braços do Superman, mas esquecem que as Lois Lane tem mátéria urgente pra entregar, chefe ranzinza e chegam em casa cansadas, muitas vezes se deparando com a geladeira vazia e a cama mais vazia ainda...
Deu pra entender? As mulheres hoje passam por uma tremenda crise de identidade: olham para si mesmas e vêem a Branca de Neve - jovem, frágil, romântica e perdida num mundo cruel; olham no espelho do mundo e o reflexo é o da Rainha Má - linda, poderosa, decidida e fazendo acontecer a estória, mas já com prenúncio de não conhecer um "happy-end".
Aqui, chegamos ao que eu queria explicar: como os homens ora querem a Branca de Neve, ora suspiram pela Rainha Má, a maioria das mulheres fica com o pé em duas canoas, tentando dar conta dessa dualidade.
A maioria não consegue, claro!
Por isso digo que somos frágeis emocionalmente, tentando satisfazer expectativas de homens que também parecem não saber bem o que querem. A diferença é que eles escolhem uma trilha e não olham mais para trás e nós ficamos nos martirizando, tentando saber como teria sido, se fosse...
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